segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Turistas de Campina ou Flamengo vs Campinense

Cabedelo-PB



I.

Há um acordo entocado entre Cabedelo e Campina Grande: em dístico ingênuo, e desmetrificado, dá assim: "vem pro meu verão / que eu vou pro teu São João". Da rima consoante, o que é de Cabedelo verão; de Campina é João. Ou os (bote aqui o plural de João). Porque são muitos Joões na beira do nosso litoral, vindos da mesma Rainha da Borborema e iguais somente em uns trechos de vida. É sobre um desses trechos que quero digitar. Para tal, o plural passa a ser o João que em minha presença veraneia.


II.

Se é desnecessário apontar cabedelense no arrasta pé do Parque do Povo, fácil é colher campinense no costado daqui. Maioria em Camboinha, coincidentemente a maior praia de cá.

Um método de colheita mais ou menos exato é a vermelhidão. Seis em dez campinenses a desenvolvem – lá vêm os Patrick Estrela do meu agrado. Mais ou menos exato porque os nativos também coram, mas não têm surpresa: o diferencial. Pro campinense, toda beira de praia é a primeira gozada da vida; toda conchinha é boa de colecionar, de botar no cangote: culpa do costume em açude, porque o açude é introvertido, respeitador de margem, limitado que só. Daí que, vendo a pabulagem do mar, com esse chegar aos pés, o campinense desconstrói, alça um coque, veste saia e MAMÃE, LIBERDADE NESSE CARAI!

Claro, tem quem prefira a cadeirinha mais pra cima, o bucho coberto por pano, a água através da telinha – esse tipo é o indiferente, tá aqui por coerção, além de lascar o estereótipo-pauta deste texto.


III.

Por fim, assopro: os campinenses são bem vindos ao pequeno cabo. Além da conhecida movimentação econômica, trazem linguagem. Um mesmo, dia desses, vendo o autor do texto na areia dura, galgou: – Óia, o boy é rubro-negro, é de nós, parceiro, é de nós!

Trocou urubu por raposa.


Severino Figueiredo 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Dona M., de Areia a Cabedelo, 1980

(Publicado na revista Gueto, a 18/07/17)


Tando em linha o trem —
mole desde mesmo
ou: se de pau duro
para de onde veio —

beira, de entre bicho,
lagarta de pelo;
entre o que é de jogo:
falta, pré-escanteio;

meio ao de família,
vó no desmantelo:
buchuda do quinto,
suja de onde veio.


Severino Figueiredo 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Gentileza



Amália veio esticando o corpinho desde o título do texto: uma mão no cano amarelo pra aprumar o cabo dos pés e a outra correndo o ar em coisa de vôlei:

– A gente pequena é uma desgraça! Puxe aqui, meu fi.

O narrador fez sim de feição: danou o dedo na corda, sinal de parada.

– Brigada!


[freada.mp3]


– A do meio, motor!
– Lá atrás, senhora, lá atrás que é pra num me complicar.
– Putaria é essa, rapaz?
– Eu vou ser chamado atenção na empresa, moça, colabore.
– Eu tô ligada no seu colabore, se eu fosse gostosinha num instante abria.


 [risos.mp3]


A mulher correu de ira à porta traseira, desceu não sem meter tapa na mesa:

– Bicho fuleiro!

O ônibus seguiu viagem com a boca do meio abrindo vez em quando.


Severino Figueiredo 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Da cama ouve gatos sacudindo o telhado / vê que é ritual de pôr o pau no buraco

Cabedelo-PB


Gato é mais que cão
no rabo: tem de miss o de aceno;
pois se bota acima
mesmo de pau menor que o jumento.

Gato que do cão
difere quando de endurecendo;
maior tempo nega
a pelúcia do acasalamento.


Severino Figueiredo 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Cabedelo em quadrão perguntado

Cabedelo-PB


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Vê dois filhos da terra em
peleja sobre o lugar:
um deles diz verso ímpar, 
o outro diz verso par.
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Cite bairro e rua escura:
em Ponta a do Cajueiro.
Quando chove dá lameiro?
tem vez que dá na cintura!
O prefeito é linha dura?
mais com quem lhe nega a mão.
E como vence eleição?
à base de pão trocado.
Cabedelo perguntado
e respondido em quadrão.

Lugar bom de jogar bola:
nas bandas do areal!
Tem canto que cheira mal?
mais do que prédio de escola.
E gente pedindo esmola?
vejo mais quem feche a mão!
Garagem para avião?
só pra navio carregado!
Cabedelo perguntado
e respondido em quadrão.

A cultura popular:
coco, nau catarineta!
Guerra, morte, muita treta?
tem uns pega pra capar.
Banco da gente sentar?
e rolar conversação!
Brega, samba, batidão?
Tudo um pouco misturado!
Cabedelo perguntado
e respondido em quadrão.

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A disputa segue adentro,
abandona o aí visto.
Chega em casa em sobressalto,
no tempo de escrever isto.
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Severino Figueiredo

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Dez por quinze

Hospital Colônia de Barbacena, por Luiz Alfredo


1.

A xanha nas costas pede parede – ele dá.

2.

Gaston põe mão em Selma e vai se escorar mais ela pra lá de quem lê, das paredes a mais irregular, que não passaram bem régua de reboco: onde roça o espinhaço em vários mungangos, curtinhos que é pro cachorro morder a própria peia – mas segue de xanha. Crava unha, tapas, nomes da guerra... Vai no bruto: reencontra a parede e arria ao chão com todo carai. Chega já de perna estirada, o costado ardido, escândalo:
– Mizera! Mas morresse, bixiguenta! Morresse, né?

3.

Volta do esquecimento e cuida em desculpa – do peito de náilon leva a mulher à boca: beija-a muito, vez até intensa. Selma ri que só, plana, presa qual ele, mas noutra técnica.

No desenrolo de zorba da virilha, seresteiro: “Ficou nós só, Selminha, nós de testa aqui”. Arreganha mais o íntimo: – Às vez vem falta do povo tudo, que tá sabe lá como... Apois é isso, deus sabe o que faz e a gente...

Dá olho a Selma, complemento. Ela ri e ele cobre: – Issassim, a gente num sabe o que diga.

4.

[Batida em metal]

Um enfermeiro enfia cela a dentro uma voz de avó: – Banhinho de sol, seu Gaston, chegue.

Gaston vai jabuti do carpete ao corredor. Dobra a ala metendo a foto da mulher no bolso traseiro do bermudão.


Severino Figueiredo

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Gabiru

Hospital Colônia de Barbacena, por Luiz Alfredo


1.

Vê um Expedito virado na gota serena: – Ele, mainha, ele!
A mãe explode em voz: – Quê! Djabo é esse! De choro?
Logo afina; espana a coriza: – Deixe lá, ele, deixe lá que é estresse.
Beija Ditinho no ombro e sugere TV. Ao canto e de rodo na pia, vó abre nota de rodapé: “Isso é o povo na rua que faz raiva a ele e ele vem descontar no bichinho”.



2.

O supetão de detrás é de um meio de manhã abafada. Faltou a precedência:

Coisinha antes do primeiro travessão, Expedito fora ter mais o pai na garagem da casa; aí dá com o homem de língua no carro – uma cara de sumô, a zorba aparente. Moacir vê o garoto, mira uma caixa a escanteio e faz cumprimento de ordem: “Pega a chave-estrela ali pra mim!”. O menino vem com a de fenda. O outro solta os cachorros: “Você é leso, é? Eu falei a estrela, ora porra!”. Tinindo, Expedito voa de volta, no que inda ouve: – Chora mesmo! Tu é um homem ou um rato?

O boyzinho aterrissa na cozinha e clareia o início do texto.



3.

Das aspas da avó a esta tarde de pau mole, o quê? Cinco horas! Tempo de Expedito beber do tonel do ressentimento.

– Se comporte, viu? Obedeça vovó que mamãe e papai já chegam. Dê cheiro!

Cheiram-se sob buzina, no que a mulher grita para além portão: “Tô indo!”; e, normal, à sala: “Djabo apressado! Tchau, meu amor; tchau, D. Mariana, se ele aperrear me ligue”.

Mãe sai e deixa Ditinho num bico de biquara, o olho no entre cerâmicas, apombaiado. Beira quem varre à espera da pá – que vem. É ideia súbita: “Vou mostrar quem é o rato aqui!”. Deixa a sala: – Vou beber água.

Na cozinha, arria – discretíssimo! – a tampa do fogão: vê as formas de bolo. Lembrara-se de mama de dias atrás: “Guardo aqui mas é mesmo que nada, os peste vem e cagam tudo de novo”. Dá mão às bolinhas negras e mete o granulado na boca.
Meia centena de segundos depois, Expedito cai no chão – gorfa que só.


Severino Figueiredo

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Do quebra-mar de Cabedelo vê embarcações

Cabedelo-PB


De Costinha ao de cá,
lado de melhor pesca
que não sai do lugar,
a língua de aço língua
em um mais devagar:
o grande entre virilhas
que é moleira de mar.

Mesma xota molhada:
a barcaça de empeno
(pica torta encimada)
lambe em mais alvoroço
em que, junto à dedada,
dá por onda que à pedra
chega pra ser quebrada.


Severino Figueiredo 

sábado, 12 de agosto de 2017

Dominância em rima pobre II

Hospital Colônia de Barbacena, por Luiz Alfredo.


No que lavra a pasta cinza,
duro, o pedreiro se escora;
enxágua na testa o dedo –
de si ao cinza incorpora.
A enxada que, abrindo a massa,
cita João Cabral e traça
sempre de dentro pra fora.


Severino Figueiredo 

sábado, 22 de julho de 2017

ZOO

Hospital Colônia de Barbacena, por Luiz Alfredo



– Três, o arroz de hoje tava azedo... Quatro, Juarez nunca veio ver a gente... Cinco, sinto falta de Itaquaquecetuba...

Suspende o ditado. Curva-se, pesando: “Difícil essa agora!”. E em voz infantil: “Mas é pro bem do meu menininho”. Retoma. Gaiteio das aspas e de um colega da excursão, que devolve amarelo: "Logo eu!". Peço detalhes da gruta a fim de levá-la ao Instagram. Chama-se Gorete o único objeto da cela; aí já há dois anos, há um dá lições em movimento de cadeira de balanço: – Essa é das melhores alucinações que temos aqui – grifa o enfermeiro-guia – de um filhinho que morreu de bala perdida.

Hora e outra dá com olhos de pitomba em nosso grupo: “Vejam como é sabido! Escreve tudinho!”. Fizera parecido com o enfermeiro, mas via braços, hoje em camisa de lona. Daí o cultivo de barba: – Dá pra ver o rabinho da cicatriz aqui, ó.

Na grade seguinte, de um hominídeo demitido dos Correios, traço de vista uma parábola na estrutura do zoo – da sala da vez à anterior; nesta, dou com o colega do grupo, que se deixou ficar. Ouve leso um parágrafo de Gorete, de onde recolho, aproximando-me, uma linha: “Você conhece? Diz que eu tô esperando ele, moço, eu e o filho dele!”.

Desentendido, ofereço-me: – Tudo bem aí, Juarez?


Severino Figueiredo

segunda-feira, 17 de julho de 2017

CASA Nº 48

Hospital Colônia de Barbacena, por Luiz Alfredo.


Estoura: – Já?
...

Dou com a vista nele duas datas por mês – menos que isso, às vezes; mais? nem a pau. E dou com um dedo de gosto mais nove de pena: mãos pra empurrar o ferro que separa a rua do homem privado. Sei de Brandão – quê! – desde os três anos, que é a ponta do meu novelo de memórias.

Um livro desbotado da década de 30 que não instiga, segundo a médica do PSF.

É que lhe custa ser matraca, a maior parte da bronha ele bate com os olhos; só custeia aquele luxo ao grifar vitórias de rifa, mas logo as chispa com munheca de agouro – pesa morrer na posição que há muito conserva: troncho, quase emborcado, sobre um colchão d’água cedido pela Secretária de Bem Estar da cidade.

“Quero tá dormindo”, completa não em ritmo escrito.

O colchão d’água é em prol do mijo. Parcialmente entrevado, faz gato e sapato na cama-solteirão posta no escanteio da casa; na expressão de corpo já lida e com o travesseiro guiado ao norte do portão: que é pra dormir com os pés virados à rua, crença de mama.

“Nenhum mizera desse tem coragem de me limpar”, é como quebra silêncios.

Divide a casa com dois filhos e três agregados por eles. Por Anita, já metida em terra, foi buscar a parteira nove vezes; duas na mesma beca da mãe e as demais, que não as de início de parágrafo, lá fora: vivas apenas em datas seletas, através da conta que Brandão não tem no Facebook.

...

– Já, Vô, só vim ver como o senhor tava.
– Vá com deus, meu filho.



Deixada a casa nº 48, sorrio de volta aos meus, ao movimento de homens e mulheres; à inocência das crianças que me rodeiam a fim dos pés de velho que eu tenho nas costas.



Severino Figueiredo

domingo, 18 de junho de 2017

VII

Externo ao jabuti
todo caminho dista:
cortado pelo que há
de homem nesse animal

Próximo apenas
seu atalho de cuia:
na ameaça que o faz
provar do próprio pau


Severino Figueiredo

quinta-feira, 15 de junho de 2017

VI

Três sementes do garimpo
(dito fruto temporão):

Uma bem no pé da vista
(picareta firme em mão)

Duas de necessidade
(bronha após cada oração)


Severino Figueiredo

terça-feira, 13 de junho de 2017

V

Camuflado cão sem casa,
quando há folguedo no céu,
conserva no pau das patas
dura lição de quartel:
na selva a resma não goza
da afiação do papel.


Severino Figueiredo

sexta-feira, 9 de junho de 2017

IV

O tempo do cão sem casa
é deste verso: a língua d'água,
torta e à vista - não dentro
(qual sapato) mas físico e
animalesco pêndulo - vivendo
seu museu de cacetas lambidas.

O tempo do cão sem casa
(que não é nosso; nem
do próprio cão sem nada)
termina ao sabê-lo na borda
(cão sem prato) da rua:
naturalmente camuflado.


Severino Figueiredo

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Cabedelo II

Bem no meio de Camalaú
a pedra grande e clara
de Sebastião: podre e sem
pixo; quadrada; sozinha.

Não apenas bem no meio
de Camalaú, mas, sobretudo,
no umbigo da melhor rua de
Camalaú: a pedra de Sebasto,
de gente boa e mariana
somente dentro dela: pedra
sem vergonha de Camalaú.

O que ocorre na pedra feia
de Pedro (ou não) permanece
nela: pedra-moléstia, ambígua,
bem no meio da vista que dá
para a mecânica do ventríloquo.




Severino Figueiredo

sábado, 3 de junho de 2017

Dominância em rima pobre

Há quem não entenda
o maestro (ou desgoste
dos trejeitos de patrão)

À direita dos primeiros
violinos: mães dos que
soam em contramão

Ordenando atrito de
pratos vez e outra como
a ocultos tímpanos

(fundeados e quistos
pelas partículas épicas
com tiros de canhão)

Rápido e fino pássaro
à flauta; duro, rígido
pombo ao trompete

Alheio ao tronco largo
do cello: criança próxima
ao baixo de alta tensão

Há quem não entenda
o maestro e ainda o
imite com empolgação


Severino Figueiredo 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Cabedelo I

Na praia de Miramar
difícil conduzir a bola
num chão de sargaço

Quem o mar rejeita
(por hora) o homem
ajusta em lesas teorias

É o coentro da Tanzânia
falam os mais velhos
pescadores daqui

Bom para o grude dos nossos
dias de luta indicam
senhoras do ramo de siri

Na praia de Miramar
casebres avançam ao mar
que avança de lá para cá

Ao redor do piso-sal
da Miramar: uma gente
pró-natureza julga

um cão que tomando
lama não pensa no futuro


Severino Figueiredo

terça-feira, 30 de maio de 2017

Do outro lado da grade

Cão de rua late e quem
não é de rua
é espanto e aflição

Cão de rua bate com
a venta na merda
e murcha lembrando
essa eu já cheirei

(é do tony filho
de uma pequinês
marrom burguesa)

O maior inimigo
do cão de rua
exceto a rua
que o detém
é o fundo do olho
de alguém
que o deixa mais
ou menos cão de rua

Dentro de um só
cão de rua
dezenas de cães
de garagem
que ao vê-lo dono
da passagem
refletem sobre a vida
que têm


Severino Figueiredo

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Prioridade

O padrão do vento na cortina
maleável, contorcendo-a
como o vento faz da curva
ambientação, lembra as falésias
em inanição que beiram este mar.

Dos tempos de infância para cá
há mais geografia em meu cansaço
que nas falésias anti-duração
que engrossam o mesmo mar.

Sobre o grosso do farelo-mar
uma canoa entupida de janta.


Severino Figueiredo

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A defesa da propriedade pelo cão

Sombra digna
a que acolhe
o patrão

O meio
d'encontrar-se ouvido
(isto é, forjando-se)
leva
à situação
de tomar por inimigo
quem explica-lhe
o portão


Severino Figueiredo

terça-feira, 16 de maio de 2017

III

Dentro da solidão:
seu plural;
aquilo da pré-bomba
- silêncio incomum;
bola de pelo correndo
no pique pra que seja um
dentre os vestígios
do jogral.

Dentro da solidão
um canibal
dorme rangendo os dentes.


Severino Figueiredo

terça-feira, 2 de maio de 2017

II

os dias em que me vejo
na tábua das marés
são os piores dias
os dias em que me vejo
na tábua das marés

a dor do previsível
é a dor das gentes
deslumbradas
com as próprias dores 
previsíveis

o foda de se ver
na tábua das marés
e nas gentes
e entre
os dentes das gentes
é não confiar
na feição da vítima
quando esta diz

Ele tem um plano pra você
pagamento à vista
no crédito
ou carnê


Severino Figueiredo

segunda-feira, 1 de maio de 2017

I

houve tempo de trem
de carga em cabedelo
(milho cevada dinheiro)
cortando a rua
principal do centro

o tempo de trem
de carga em cabedelo

era o tempo de passar tempo
trepado às costas de ferro
do trem de carga que vinha
do porto de cabedelo

foi no tempo de trem
de carga em cabedelo

o maior desastre de cabedelo
o corpo de joão esmagado
pelo trem de carga de cabedelo

desde então não houve mais tempo
de trem de carga em cabedelo

era preciso algo mais pra levar
tanto milho cevada dinheiro


Severino Figueiredo